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Reforma Tributária Aprovada: Como a Lei Complementar 227 Impacta sua Herança e Empresa em 2026

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LC 227

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A LC 227/2026 é a lei complementar que regulamenta a reforma tributária aprovada pela EC 132/2023, com impacto direto em patrimônio pessoal e empresas: (1) ITCMD agora progressivo (teto 8%) e a valor de mercado, com regra anti-fracionamento de doações e tributação de trusts; (2) IBS e CBS substituem ICMS, ISS, PIS e Cofins para empresas; (3) fundo de comércio (goodwill) entra na base de cálculo do ITCMD em holdings — risco constitucional ainda em debate; (4) bens no exterior passam a ser tributáveis. Ações urgentes: revisar avaliação de holdings, antecipar doações sob regra antiga, atualizar VGBL/PGBL (continuam isentos), revisar contratos com cláusulas tributárias.

Tempo de leitura: 7 min · Autor: Eduardo Macedo Leme Tatit · Atualizado em 22/06/2026

O governo sancionou a Lei Complementar nº 227 em 13 de janeiro de 2026 (publicada no Diário Oficial da União em 14/01/2026) e, com isso, deu início a uma ampla transformação do sistema fiscal brasileiro. Se você lidera uma empresa, possui imóveis ou planeja a sucessão familiar, precisa saber que as regras mudaram de forma significativa.

Muitos brasileiros ainda acreditam que a Reforma Tributária (IBS e CBS) interessa apenas aos contadores. Contudo, a nova legislação atinge diretamente o seu bolso e a gestão dos seus bens. Neste artigo, traduzimos os termos técnicos para que você entenda, com clareza, os riscos e as oportunidades desse novo cenário.

O Fim da “Guerra Fiscal”: O Comitê Gestor (CGIBS) Assume o Comando

Primeiramente, a principal inovação institucional é a criação do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (CGIBS). Imagine um órgão único, com independência técnica e financeira, que arrecada e distribui o novo imposto (IBS) para todos os Estados e Municípios.

Para o contribuinte, essa mudança encerra a multiplicidade de legislações estaduais. O CGIBS editará um Regulamento Único. Assim, você não precisará mais interpretar 27 regulamentos diferentes de ICMS. Além disso, o sistema coordenará a fiscalização, o que impede que fiscais de diferentes locais cobrem o mesmo fato gerador de forma desordenada.

Atenção aos Prazos: O Processo Administrativo Mudou

A nova lei modernizou o contencioso tributário, ou seja, o processo de defesa contra cobranças de impostos. O sistema funciona agora de modo totalmente eletrônico e realiza os julgamentos de forma virtual.

Por isso, o ponto de atenção crucial é o prazo. O legislador fixou a regra geral para apresentar defesas (impugnações) e recursos em 20 dias. Se você perder esse prazo, confessará a dívida e sofrerá prejuízos irreversíveis.

Ademais, a lei instituiu um rito sumário para causas de menor complexidade ou valores abaixo de 1.000 UPFs. Nesses casos, a decisão ganha caráter definitivo logo na primeira instância, o que acelera a cobrança.

Planejamento Sucessório: O ITCMD Ficou Mais Caro?

Provavelmente, as famílias brasileiras sentirão o maior impacto nas mudanças do ITCMD (imposto sobre heranças e doações). A Lei Complementar 227 criou normas gerais que endurecem a tributação sobre o patrimônio.

Confira as principais alterações que exigem a revisão do seu planejamento patrimonial:

  • Progressividade Obrigatória: A lei obriga a aplicação de alíquotas progressivas. Ou seja, quanto maior o valor da herança, maior a porcentagem de imposto que você pagará.
  • Heranças no Exterior (Trusts): O texto legal fecha o cerco sobre estruturas internacionais. O fisco tributará bens e direitos em trusts no exterior na data do falecimento do instituidor ou na distribuição dos bens, o que ocorrer primeiro.
  • Conceito ampliado de doação: a LC 227/2026 adota um conceito amplo de doação — em regra, toda transmissão não onerosa de bens ou direitos com expressão econômica. A hipótese de tributar a distribuição desproporcional de dividendos como doação constava do projeto original, mas foi retirada pelo Congresso e não integra a lei aprovada. Ainda assim, distribuições atípicas e sem propósito negocial podem ser questionadas pelo Fisco caso a caso.

Empresas: Como Usar os Créditos de ICMS

Para os empresários, gerir os saldos credores de ICMS acumulados até 31 de dezembro de 2032 é vital para a saúde financeira. A nova lei define regras rígidas de transição:

  1. Homologação: O contribuinte deve protocolar o pedido de reconhecimento desses créditos no prazo de 5 anos, a partir de 2033.
  2. Ressarcimento Longo: O governo não devolverá o saldo à vista após a homologação. Você compensará esses valores com o novo imposto (IBS) em 240 parcelas mensais, isto é, ao longo de 20 anos.
  3. Transferência limitada: ao contrário do que se divulgou, a transferência desses saldos credores a terceiros é restrita e só passa a ser admitida a partir de 1º de janeiro de 2038 (art. 134 do ADCT). Não há, por ora, um mercado secundário livre desses créditos: a regra geral continua sendo a compensação com o IBS pelo próprio titular.

Imóveis: O Município Define o Valor do ITBI

Finalmente, a legislação alterou o Código Tributário Nacional. Agora, os Municípios podem utilizar critérios técnicos e “preços de mercado” para estimar o valor venal dos imóveis para fins de ITBI.

Na prática, essa medida tende a elevar a base de cálculo do imposto nas transações de compra e venda, pois aproxima automaticamente o valor fiscal do valor real de mercado. Você poderá contestar essa avaliação, entretanto, terá que apresentar provas robustas no processo administrativo.

Conclusão

A Lei Complementar 227/2026 não representa apenas uma mudança burocrática; ela promove uma reforma estrutural que altera o custo de fazer negócios e de transmitir patrimônio no Brasil.

Portanto, a eficiência fiscal depende agora de adaptação rápida. As empresas precisam auditar seus estoques de créditos, e as famílias devem reavaliar seus planos de sucessão antes que os estados implementem as novas alíquotas progressivas.

O planejamento jurídico preventivo é o caminho mais seguro para organizar e proteger seu patrimônio diante das novas regras.

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